Exercício da oficina de Jornalismo Literário, por o Doutor Silvio Ricardo Demétrio, no dia 22 de agosto de 2007.
Escrita livre a partir de três músicas diferentes colocadas por ele.
Sem planejamento, punição ou cerceamento.
Ainda preciso me libertar. Mas acredito que alguma coisa que parecia ainda não estabelecida em mim pareceu fazer sentido.
Espero que eu escolha o caminho epifânico correto. Se é que esse há.
[Sem edição]
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I
Porque todos os sons a que me reporto são luzes que tornam o caminho obscuro, e aqueles que pensam a mim se reportar, caem neutros naquilo a que chamo desconsciente.
Não havia, portanto, quem se achegasse devagar. As divagações tão sinceras, e exatas, e concebidas fielmente, não me salvariam do resvalar do sempre. Que corre a distâncias imensuráveis.
E por deslizar assim tão facilmente é que me solto rio. E me faço vento. E movo minhas próprias planícies de areia. Porque formo a ciência que me rodeia e me regenera.
E que por vezes subverte partes minhas ao infinito que termina ali.
Antes fosse um outro qualquer que me desvendasse. Mas sou eu. E o desfruto de forma tão conseqüente que seria até injusto dizer que o tempo passou depressa.
O tempo passou sem que eu dissesse sim, mas parou quando eu disse que queria.
II
Outras vozes não poderiam chegar.
Eu não as ouço por mais que me cheguem ao ouvido e me escapem à boca.
Eles transpiram meus poros porque sou deles.
E assim não seria se não os amasse.
E os completasse com a incompletude dos paradoxos todos de que sou trançada.
Não haveria outra forma de ser.
Porque a verdade é uma translúcida bacia de águas turvo-cristalinas.
Tantas vezes eu ouvi que rogavam
ou pediam
ou perdiam
e destoavam
outras morri.
III
Foi quando eu não tentei mais fechar os olhos
e conseguia ouvir tudo que havia.
Porque o toque tornou-se mais intenso
e o paladar rompia-se em mil sabores distintos.
Eu sentia com o mundo
Se eu não ouvisse Carlos recitando-me poesias
todas faladas para mim, já que escritas para o mundo
e do mundo
Eu talvez ouvisse Pessoa recomendando-me que o futuro tão sonhado tornara-se pó de uns escritos reclusos que ninguém nunca leria
e por isso não seriam
Já que eu precisava do exercício da vida
O exercício que sobrepusesse minhas palavras à minha vontade de ser
de ter, de estar e saber
ao meu jeito de sobreviver
E aquelas coisas inválidas
não por validade, mas por validez
não serviriam a mim pois não eram por mim ditas
muito menos para mim
Somente quando percebi que havia o ser para mim eu não seria menos
Eu seria paz
Hoje eu não tô entendendo nada. Hoje eu não quero entender. Quero que, quando me aparecer alguém na frente, que fale, aí vou no menu do meu cerebelo e aciono uma tecla. Quero ouvir todo o som ambiente, das abelhas, das andorinhas acolhidas no suporte da lâmpada fluorescente, das folhas. Vou acentir com a cabeça sempre deixando (sempre) a pessoa falando sozinha. Hoje meu espírito está longe, porque ele simplesmente não saiu comigo de casa.
Hoje eu quero ser azul como o que eu vejo daqui de baixo, assim todo mundo vai pensar que eu sou um pedaço do céu. E tô aqui em baixo por engano.
Epifanias? Hoje eu não tô entendendo nada.