”Só importa o que se entrega logo, o óbvio. O complexo deve ser descartado”.
Ferreira Gullar
O Baile de Máscaras começou.
Sem metáforas quaisquer, lancei mão dos vários tons cinzas que me refletem e roubei uma cor do meu instinto de alma. Uma flor estilizou-se na lapela inexistente. Um véu suave forjou-se máscara. Os olhos estão para a tentativa discreta de revelar o que de mais o coração reflete. O coração está para o deleite impossível da verdade lacônica. A personagem a que me destino está para a representação dionísica.
Meus instintos palpitam.
Audíveis as vozes que me chegam mesmo em silêncio. Audíveis os olhares, os gestos, as palavras não ditas. Ainda que a música ensurdeça. É na surdez dos sentidos que meus receptores exultam.
Os segredos deslizam.
Nada a que o disfarce não resulte mínimo. E as tentativas de utilizá-lo, as desculpas de efetuá-lo, os caprichos de torná-lo lúdico. Jogos cínicos com porções de coragem. Um viva à covardia velada e ao versejar manipulado! Um viva ao baile que começa desejado e termina previsto.
As máscaras a mim são inúteis passagens para caminhos escancarados.